sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

LEITURAS DO LECIONÁRIO REFORMADO para o 1º Domingo após o Natal, 1º de janeiro de 2017Ano A, Cor Litúrgica: Branca.


"Massacre dos inocentes"



Antigo Testamento: Isaías 63.7-9

Salmo 148

Epístola: Hebreus 2.10-18

Evangelho: Mateus 2.13-23


"E, TENDO ELES SE RETIRADO, EIS QUE O ANJO DO SENHOR APARECEU A JOSÉ NUM SONHO, DIZENDO: LEVANTA-TE, E TOMA O MENINO E SUA MÃE, E FOGE(*) PARA O EGITO, E DEMORA-TE LÁ ATÉ QUE EU TE DIGA; PORQUE HERODES HÁ DE PROCURAR O MENINO PARA O MATAR."(Mateus 2.13)


(*) Fugir, chorar, esperar. Essas três ações são muito estranhas para os evangélicos de hoje. Infelizmente, até mesmo contra os próprios ensinamentos cristãos, as orientações básicas para os que frequentam a maioria das agremiações eclesiásticas nestes tempos são eivadas de atitudes como enfrentar, determinar e conquistar. Se lemos a Bíblia mesmo e comparamos suas orientações (especialmente baseadas nas palavras e nos exemplos de Jesus), encontramos essas atitudes mais aproximadas às tentações de Satanás do que às lições do Cristo e de sua história. Com essa perícope de Mateus, percebemos que fugir pode ser uma atitude necessária. Nem sempre enfrentar a situação é ação inteligente nem mesmo orientada por Deus. É necessário saber quando se afastar de tudo. Tenhamos em mente que haverá situação em que faz parte dos planos do Criador essa fuga, esse afastamento. No mesmo clima do "Em tudo dai graças", devemos nos colocar nas mãos de Deus confiantes de que seu plano final é bom para nós. Essa confiança em Deus é dom do Espírito Santo e é iluminada pelas Sagradas Escrituras. Notemos que a continuação dessa fuga gerou uma ação triste demais. Muitas crianças foram assassinadas por Herodes. Na conta "matemática", "lógica" e "humana" da maioria de nós, seria mais fácil entregar o Menino Jesus para as autoridades e poupar um número imenso de bebês. Todavia, o Pai de Amor tem seus caminhos para estabelecer sua salvação à humanidade. Os mártires sempre haverão em nosso meio e em Deus não habita injustiça. Além disso, a maldade humana faz parte deste nosso mundo em que o mal ainda tem reinado em nossos corações. É, portanto, necessário que compreendamos essa raiz do mal em nós mesmos e continuemos, com a força do Espírito Santo e a orientação da Palavra de Deus (com os exemplos de Jesus), a resistir fazendo o bem e rejeitando a maldade. Por isso mesmo haverá momentos em que só nos restará chorar, lamentar, demonstrar nossa tristeza com essa realidade tão triste em que vivemos. Deus mesmo compreende tanto essa condição humana que nos envia o Espírito Santo Consolador. É um dom tão importante e tão necessário que Jesus no-lo deixou ao ascender aos céus. Fugir, chorar e esperar o momento certo para agir também são prerrogativas daqueles que são filhos de Deus e orientados pelo Messias. Esse Espírito que nos consola também nos fala ao coração o momento para agir e a forma como agir. Nossa alma, sim, saberá quando e como agir após o momento de espera e tristeza. Pode demorar, é verdade, mas também é um dom do Espírito Santo de Deus essa tranquilidade que, misteriosamente, toma conta da vida daquele que se entrega às orientações de Jesus. Somente essa fuga e essa espera puderam nos outorgar a maior oferta de Deus para nós: o Salvador. Por isso, estranhe orientações afoitas de "enfrentar o inimigo" sempre. A calma, com oração e consulta à Palavra de Deus, e a direção do Espírito Santo são importantíssimas no caminho do cristão.

Sinite Parvulos Venire Ad Me!


Publicado toda quinta-feira (ou perto disso) por aqui e no Twitter @revsandroxavier.


Imagem: "Massacre dos inocentes" (1824), de León Cogniet, no Museu de Belas Artes, em Rennes

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