sexta-feira, 10 de março de 2017

LEITURAS DO LECIONÁRIO REFORMADO PARA O 2º DOMINGO DA QUARESMA, 12 DE MARÇO DE 2017ANO A, COR LITÚRGICA: ROXA

Cristo e Nicodemos

Antigo Testamento: Gênesis 12.1-4a

Salmo 121

Epístola: Romanos 4.1-5,13-17

Evangelho: João 3.1-17


"DE FATO, DEUS ENVIOU O SEU FILHO AO MUNDO, NÃO PARA CONDENAR O MUNDO, E SIM PARA QUE O MUNDO SEJA SALVO POR MEIO DELE." (João 3.17)

(*) Mais uma vez, Jesus é questionado para que seu conhecimento seja testado. A impressão é que esse teste ocorre por dois motivos: a vontade de pegar o Mestre em contradição e o medo de que sua convicção seja errada. Nicodemos parecia gostar do que Jesus falava, mas confrontava com seus ensinamentos engessados na religiosidade legalista e não percebia que o Salvador pregava um reino de amor baseado em novas maneiras de ver o próximo e a Deus. Jesus parecia estar dizendo a ele que não seria mesmo possível que ele compreendesse a mensagem ("se alguém não nasce do alto, não poderá ver o Reino de Deus" - v.3). Na verdade, somente admirar Jesus não basta para demonstrar a fé nele. A diferença é a entrega a uma vida diferente, com esse compromisso baseado no que Jesus nos dá de exemplo por suas ações e nos ensina por suas palavras. A dica de Jesus, falando do vento, que sopra onde quer, já mostra que o Espírito Santo de Deus é livre para agir como bem entende. Ele não está engessado por normas legalistas eclesiásticas. Quando se tenta aprisioná-lo dessa forma, ele sempre nos surpreende e age por seus próprios meios. Vejamos que Deus entrega seu único Filho por meio de uma representação impossível para a elite religiosa. Como um simples filho de carpinteiro, nascido numa cidade sem nenhum requinte, sem pompa ou poder, poderia ser o messias? Aquele que viria para resgatar o povo de uma condição de exploração total? Se Jesus Cristo não conseguia fazer com que Nicodemos compreendesse coisas simples, como ele atingiria tal compreensão sem estar disposto em seu coração? Então, se ele esperava que o enviado de Deus ombreasse com essa alta classe religiosa na condenação a pessoas por atitudes moralistas e por falhas humanas naturais ou por um exagero na cobrança de rituais, estava amplamente enganado. Jesus deixa claro que sua tarefa não era trazer mais condenação. Sua missão não era escarafunchar a realidade humana em busca de mais uma nuança para condená-la à danação eterna. Jesus mostra que àquele que nele crê está reservada a vida eterna, a salvação, a liberdade, a partir da compreensão de uma vida de amor, solidariedade, paz, misericórdia, justiça e bondade; não somente naquilo que se recebe de Deus, mas naquilo que também praticamos para com nossos irmãos e irmãs. Sempre me lembro de responder para pessoas sobre que atitude tomar com relação a algum irmão que, segundo a visão mais moralista possível, estava em pecado. Muitos exigiam a convocação a um conselho para que se pudesse exortar ou chegar às raias da exclusão do rol de membros da igreja. Tranquilamente, eu respondia que não me era possível tomar tal atitude. Minha missão pastoral, compreendida no coração, era trazer pessoas para a igreja (o aprisco do Senhor) e não as enxotar dela.

A Cruce Salus!


Publicado toda quinta-feira (ou perto disso) por aqui e no Twitter @revsandroxavier.


Imagem: Cristo e Nicodemos (1886), de Fritz von Uhde.

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