sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

LEITURAS DO LECIONÁRIO REFORMADO PARA O 3º DOMINGO APÓS A EPIFANIA, 22 DE JANEIRO DE 2017ANO A, COR LITÚRGICA: VERDE



Sinaxário dos Doze Apóstolos

Antigo Testamento: Isaías 9.1-4

Salmo 27.1,4-9

Epístola: 1Coríntios 1.10-18

Evangelho: Mateus 4.12-23


"O POVO QUE VIVIA NAS TREVAS VIU UMA GRANDE LUZ; E UMA LUZ BRILHOU PARA OS QUE VIVIAM NA REGIÃO ESCURA(*) DA MORTE." (Mateus 4.16)

(*) A lição de que o enviado de Deus vem da mais profunda simplicidade está em toda a Bíblia. Como não lembrar do povo escolhido formado por gente bem pobre e com um número pequeno? Como não contar a história do profeta que esperava a manifestação de Deus num terremoto, mas sua presença foi percebida numa brisa suave? Como não ver a escolha de simples pescadores para compor a equipe do Mestre? Esse texto nos mostra para onde Jesus Cristo foi a fim de iniciar seu ministério. Uma cidade, Cafarnaum, que ficava, diz a própria tradução das Sagradas Escrituras, "nos confins" de Zebulon e Neftali (cidades que já não eram grandes), foi a proclamada pelos profetas e a agraciada com a presença do Messias. Nossos padrões de busca do enviado de Deus e de suas palavras residem em imagens criadas pelo próprio mundo. Muitas vezes debruçamo-nos em saberes, acúmulo de bens, localização, vestimentas e coisas parecidas para determinar quem é o enviado do Senhor. É importante percebermos, definitivamente, que a Bíblia aponta para um padrão totalmente diferente do que é esperado por este mundo. Jesus mesmo já dizia que seu Reino não é deste mundo. Sem isso, estaremos seguindo sombras do que é a vontade de Deus e poderemos estar realizando coisas diametralmente diferentes do que nos orienta o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Jesus continuou sua tarefa deixando claro que era necessária uma radical mudança de pensamento para que se estivesse preparado para a inauguração do Reino de Deus. Arrepender-se de sua condição de pecador (aquele que sempre erra o alvo) é primordial. Para isso, a primeira coisa é reconhecer a situação que é inerente ao ser humano. A condição humana é de falhas, finitude, incompreensões, inconsistências, ou seja, sua natureza é imperfeita e sua vontade somente o leva a erros fatais. A morte é uma condição pela qual todos os seres humanos passam. O que Jesus Cristo propõe é uma nova forma de viver, compreendendo sua limitação e deixando para trás tudo que nos amarra, tudo que nos escraviza, tendo por base essa condição. Somente essa compreensão e a entrega total ao plano de Jesus Cristo (ou seja, a ele mesmo), poderemos superar essa condição, ganhar a liberdade e adquirir a Salvação, passando a ser cidadão do Reino de Deus. Para isso, hoje, devemos estar com os corações e os ouvidos preparados para ouvir a voz do nosso Mestre, sem colocar nela condições de preparo segundo os padrões deste mundo falho, pecador e eivado de desejos puramente humanos.

Beati Pauperes Spiritu!


Publicado toda quinta-feira (ou perto disso) por aqui e no Twitter @revsandroxavier.

Imagem: Sinaxário dos Doze Apóstolos (sec. 14) Museu de Moscou.

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