quinta-feira, 20 de abril de 2017

LEITURAS DO LECIONÁRIO REFORMADO PARA 2º DOMINGO DA PÁSCOA, 23 DE ABRIL DE 2017ANO A, COR LITÚRGICA: BRANCA



Thomas Doubting Christ's Wounds



Antigo Testamento: Atos 2.14a,22-32 (*)

Salmo 16 ou 111 ou Êxodo 15.1-11

Epístola: 1Pedro 1.3-9

Evangelho: João 20.19-31



"UMA SEMANA DEPOIS, OS DISCÍPULOS ESTAVAM REUNIDOS DE NOVO(**). DESSA VEZ, TOMÉ ESTAVA COM ELES. ESTANDO FECHADAS AS PORTAS, JESUS ENTROU. FICOU NO MEIO DELES E DISSE: 'A PAZ ESTEJA COM VOCÊS'." (Mateus 20.26)

(**) Sempre fico intrigado com o motivo pelo qual Tomé não estava com os outros apóstolos no momento em que Jesus apareceu da primeira vez. Era hora de ficar escondido com medo. Eles estavam recolhidos porque, ao andar pelas ruas, as pessoas lhes apontavam e os acusavam de serem parceiros de Jesus (aquele condenado como criminoso e levado à pena máxima). Eram, portanto, alvos de violência ou mesmo de ter o mesmo destino do Mestre. Como então, voltando à questão, Tomé não estava lá? Onde estava aquele que é lembrado somente por duvidar? Estaria ele refugiado em outro lugar? De qualquer forma, sua locomoção era motivo de risco. Tomé mostrou-se corajoso ao afirmar que precisaria de "provas" para crer na presença do Cristo ressurreto. Imagino, também, que alguns dos outros apóstolos tiveram vergonha ou medo de confessar que tinham dúvida daquela imagem que se apresentava a eles. Afinal, ressurgir dos mortos não era (e ainda não é) um fato corriqueiro, não é mesmo? Creio ser injusto focalizar em Tomé como única e exclusivamente incrédulo. Para mim, temos mais fatos que mostram sua coragem e sua autenticidade. Coragem de não estar confinado em um momento de perseguição. Quem sabe, ele estivesse pelas ruas procurando Jesus onde ele poderia estar, e não escondido debaixo de uma cama com medo de ser encontrado. Tomé, também, confessou que precisaria mais para que sua fé fosse confirmada. Ele não disse que não cria, enfim. Na verdade, só pediu mais provas concretas. Precisava dar razão da sua fé. Talvez até por necessidade de conter uma simples euforia humana. É fato que Jesus declarou que aqueles que acreditassem sem ter visto ou sem pedir provas seriam felizes. Mas Tomé satisfez sua curiosidade ou seu medo ou sua dúvida, com um questionamento corajoso. Uma pergunta que se faz somente a alguém de quem você não tem medo que reaja com agressividade ou arrogância, e foi justamente o Jesus fez: com amor e compreensão, satisfez a dúvida de Tomé e lhe deu a bênção do esclarecimento. Para mim, fica a lição de que, quando temos uma incerteza, podemos, livremente e sem medo, confessá-la a Jesus que ele nos trará motivos para dar razão da nossa fé. Seja sincero com ele, porque ele, certamente, será bondoso e compreensivo. Não finja acreditar sem ver, você não precisa disso, muito menos Jesus.

Christus Per Fidem Habitat In Cordibus Vestri!


Publicado toda quinta-feira (ou perto disso) por aqui e no Twitter @revsandroxavier.


(*) Na Páscoa, as leituras veterotestamentárias são substituídas pelo livro dos Atos dos Apóstolos.

Imagem: Thomas Doubting Christ's Wounds, de Hans Leonhard Schäufelein (Google Art Project).

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