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A Reforma Protestante e a Reforma Pessoal

‘...mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...’ (Rm 12.2).

Eis um dos maiores desafios que ainda permanecem em aberto desde que Lutero desencadeou a Reforma publicando suas noventa e cinco teses contra a indulgência.

A condenação da venda de indulgências criticava abertamente aqueles que faziam mal uso da fé para se beneficiarem, pois em algum momento de suas trajetórias, a ‘renovação da mente’ foi estagnada por causa de interesses outros que se sobrepuseram à vivência da espiritualidade cristã.

O próprio Lutero afirmou “minha consciência é cativa da Palavra de Deus” e que “ir contra a consciência não é correto nem seguro”. Com essas palavras ele afirmava que não poderia se retratar daquilo que aprendeu das Escrituras, e que sua fé bem como sua mente, sustentadas por ela, estavam em processo de renovação.




Assim, o reformador mostrou que não há espaço na vida do crente para ficar estagnado nos erros de outrora, nem que devamos voltar ao que nos pareça seguro, pois a renovação implica em seguir além do estágio que já foi alcançado. 

Aí emerge um dos grandes lemas da Reforma: “uma igreja reformada, sempre se reformando”. O problema que vivenciamos em pleno século XXI é que, tanto crentes enquanto indivíduos, como igrejas enquanto comunidades preferem ficar nas repetições cômodas a agitar sua realidade com a renovação necessária. 

Mesmo o apóstolo Paulo, quando fala de sua caminhada de fé e de ministério, não admitia ficar parado em qual estágio fosse, mesmo que já estivesse em um nível muito elevado de sua maturidade e perfeição espiritual. Diz ele: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fl 3.12).

Que nesta recordação e celebração da Reforma Protestante, repensemos nossas atitudes diante de Deus, se estamos de fato renovando nossas mentes e corações ou se ainda estamos apegados à comodidades das indulgências temporais. 

Deus nos abençoe!


Rev. Prof. Cleber Diniz Torres

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